Minha mãe ainda me mata!

É impressionante como nossas mães tem o poder de prever várias furadas que vão acontecer nas nossas vidas né? Coisas simples como “LEVA O CASACO MENINO MALDITO!” até coisas como “Não brinca disso senão alguém vai acabar perdendo uma unha do dedão!”. Com tristeza já fui vítima dos dois casos. Conto:

O dia em que quase perdi o dedão do pé

Quando criança eu era tão encapetado quanto o saci-pererê com diarréia galopante. Quando juntávamos eu, meu irmão, e as outras encarnações do mal crianças do prédio, o mínimo que a brincadeira ia dar era merda. Certa vez estávamos todos andando de patins e skates, quando tivemos a excelente idéia de pegar portas velhas para fazer rampas e tunnar a brincadeira. Como boa vidente que é, minha mãe logo tratou de lançar:

“Não façam isso. Essa porta vai acabar caindo no dedo de alguém”.


Meus amigos, BATATA! Brincamos bastante mas na hora de desarmar o circo a porta caiu no dedo de alguém. “De quem?”, eu te pergunto. No dedo deste gordinho que vos fala. Um outro menino (que carinhosamente apelidávamos de E.T. por sua beleza incomparável) soltou a porta enquanto a carregávamos e minha unha ficou ali no chão mesmo. DOR! DOOOOOR! Dias e dias andando só de chinelo até aquela beterraba que habitava meu pé voltar a ser um dedo.

Mal sabíamos nós que a porta nem era velha. O pintor do prédio tinha trabalhado horas a fio pra deixá-la lisinha, e ela estava pronta para ser colocar no apartamento de um condômino. Estava.

O dia em que a unha nem foi lembrada, e quase perdi foi o pé todo

Os demônios que habitavam nossos seres não se sentiam satisfeitos com pequenas traquinagens. Em outro dia estávamos todos com bicicletas, e mais uma vez quisemos transformar a brincadeira em algo um pouco mais radical. Ouço outra criança dizer “Bora lá pegar aquela prancha de madeira, colocar em cima daquela pedra e fazer uma rampa da hoooora!”. Malditas palavras!

Minha mãe grita de longe “Faz isso não cambada! Essa pedra vai rolar no pé de alguém!”. Como a gente só descobre depois de velho que mãe é o bicho mais sábio que existe, todos a ignoramos.

A pedra era ENORME! Aquele tipo de pedra usada para fazer meio-fio sabe? Porém esta era bruta e devia pesar fácil umas  470 mil toneladas. Ficamos tristes ao ver que ela estava muito mal posicionada, e não daria para fazer a tal rampa. É então que outro garoto maldito do capeta diz “Ah, então bora rolar essa pedra até ali e fazer a rampa!” Ai meus sais. Se eu pudesse voltar no tempo, facilmente meteria a mão na cara de cada um dos delinquentes e falaria “BORA É CALAR A PORRA DA BOCA E PARAR COM IDÉIA ESTÚPIDA!”. Como isso não aconteceu nós fomos rolando a pedra aos pouquinhos com o intuito de reposicioná-la.

Tente mentalizar aí uma turba de uns 15 pivetinhos rolando uma pedra com o peso de um hipopótamo jovem. No que ia dar? Merda, é claro.

Um dos engraçadinhos rolou a pedra para o lado errado e ela passou em cima do pé de um cara muito legal. EU! Vi horrorizado que meu membro inferior parecia fezes de cavalo endurecido em asfalto de avenida depois de um longo dia de trânsito. A pedra passou amassando meu pé, que ficou da espessura de um vinil do Sandy e Junior. Daí a lesão começou a inchar e ficou do tamanho de uma piñata mal decorada. Parecia que ia explodir! Como se as más idéias não tivessem fim um dos moleques veio com um gravetinho imundo dizendo “A gente tem que furar seu pé pro sangue escorrer senão vai ter que amputar.” CALA A BOCA CRIANÇADA!

No final do dia fui parar no hospital. Lá eles tiraram chapas e milagrosamente eu não quebrei nada, mas vários músculos luxaram. Resultado, passei umas boas semanas usando uma botinha ortopédica RIDÍCULA no colégio e sendo zoado nos mais diferentes níveis.

O dia em que meu dedo virou migalha de Neston

Meu irmão. AH meu irmão que já me meteu em cada furada FENOMENAL! Boas risadas e aventuras juntos, mas cada roubada digna de Mr. Magoo.

No salão de festas do prédio tinha uma porta de correr gigantesca e titânicamente pesada, mas que corria com grande facilidade. Um belo dia nós tivemos a fantástica idéia de dobrar um papelzinho, posicionar estrategicamente para que a porta corresse, e esmagasse o papel. “O que a porta podia fazer de diferente com o papel?”, você me pergunta. Procuro respostas até hoje. O nível de nonsenses de uma criança beira o ridículo!

CLARO que a dona mamãe nos alertou que ia dar merda, mas em criança o ouvido só funciona quando a chinela encontra a suave pele das nádegas. Resolvemos fazer escondido mesmo.

Fiquei encarregado de segurar o papel enquanto meu irmão corria com a porta. Dobrei a folha de chamequinho várias vezes até ficar uma camada grossa e bem durinha, e coloquei na posição.  Arrumei bem direitBLAM! O viado correu com a porta antes da hora e pegou meu dedo enquanto eu ainda arrumava a parada. Dooooooooor que dor!
Lá vamos nós de novo pro hospital tirar raios-xizes. Depois de tanta radiação meu pum já congelava a cueca e minha cera de ouvido era explosivo plástico.

Neste dia não dei tanta sorte, e o osso virou mingau dentro do dedo. Tala, curativo, meses e sofrimento. Parabéns Arthur. Palmas para sua sabedoria mangolona!

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Tenho outros casos como a vez em que rasguei o joelho e minhas fraturas no braço (duas)(no mesmo lugar)(do mesmo jeito), mas isso vai ficar pra outro post. =D

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