O (des)fenômeno da Orkutização

Enfim o Instagram chegou ao Android. Aquele aplicativo tão adorado por hipsters malditos foi disponibilizado também para o bonde do robô. O suposto elitismo que residia no funcionamento apenas para donos de iPhone cai por terra, mas levanta a poeira de uma discussão já recorrente. Quão maléfica é a Orkutização de determinado assunto? Esclareço:

Primeiro vamos deixar claro que eu não sou robôzista e nem maçãzista. Uso iOS porquê prefiro, mas já tentei usar Android. Fiquei alguns dias com um tablet android da Samsung e foi a pior experiência tecnológica da minha vida. Prefiro jogar Counter Strike com uma Power Glove do que ter que usar Android de novo. Entretanto quero deixar claro de novo que não sou piranha de nenhum dos dois sistemas. O que torço mesmo é pra eles brigarem como se não houvesse amanhã, e a concorrência de um fazer o outro melhorar.

Voltando ao cerne do texto, creio que todo mundo ficou sabendo que está rolando Instagram para Android. “O que é Instagram?” nossos leitores-das-cavernas perguntariam. E eu respondo: Instagram é um aplicativo para celulares onde você pode tirar fotos e aplicar vários filtros para a foto parecer profissional. Se acalmem amigos xiitas da fotografia. Eu sei que ser profissional é mais do que aplicar filtros toscos em fotos, mas é o jeito mais fácil de explicar.

Pois então. Pode parecer algo bobo, mas isso mostra mais uma vez como a popularização de algo pode transformar este algo em uma coisa completamente desprezível. Agora que “virou moda” tem gente floodando o instagram com foto de tampa de privada, copo quebrado, machucado escorrendo pus, cocô e toda sorte de inutilidade. Não que o instagram seja muito útil, mas agora está uma palhaçada. E eu toco de novo no termo “Orkutização”.

O Cauê Moura é um vlogger das antigas que eu admiro muito e tem idéias fantásticas. Ontem ele lançou um vídeo abominando o termo, dizendo que isso é coisa de gente elitista e sei mais o quê, mas eu penso de maneira contrária à dele. O termo é a maior verdade que existe, cara! Usando uma frase que ele diz em outro vídeo: “Caiu na boca da massa já era!”. Será que é coincidência o fato de que tudo o que populariza fica uma MERDA?! O Orkut foi o maior exemplo de como a popularização pode matar algo legal.

Os mais novos podem não saber, mas inicialmente o Orkut (e também o Gmail) era um clube restrito. Você só podia entrar se fosse convidado por alguém e cada pessoa ganhava 4 (?) convites. Isso quase garantia que a coisa não ia virar uma bagunça cheia de gente criando fakes e tudo mais. Nesta época as comunidades eram organizadas, e surgiram fóruns de discussão voltados à Física, Matemática, Lógica, Psicologia e até coisas como Humor e Gastronomia. Porém a ganância do homem é maior que o juízo,e nosso querido Büyu, o criador do site, resolveu abrir a porteira para a massa descerebrada.

Ganancioso, nerd e com cara de boiola

A partir daí qualquer um podia entrar e criar contas e mais contas. Isso fez com que milhares de contas fakes fossem criadas, e pessoas “baderneiras” atrapalhassem o bom andamento da coisa. Quem não se lembra de ter o próprio mural inundado com mensagens cheias de .gifs piscantes? Era um saco né? Isso acontece com TUDO, mas o glitter do gif na vida real são correntonas de prata e funk no ônibus.

Quando um grupo acerca de um assunto qualquer é criado, pessoas com as mesmas ideologias e conceitos se juntam para criar comunidades (não as do Orkut) focadas naquilo. Vamos tomar a música eletrônica como exemplo. De início as raves eram formadas só por pessoas amantes do estilo musical, e o ambiente era favorável àqueles que tinham ideologia compatível à festa. Todos dançavam noite adentro respeitando o espaço do outro e convivendo em harmonia.

Texto

Esta foto ilustra o que costumava ser uma rave

Tudo corria bem até que a parada Orkutizou. Raves viraram moda, e todos os tipos de retardados começaram a participar da festa. Resultado? Agora parece mais uma micareta. Nas raves de agora você verá bombadões sem camisa às 3 horas da manhã num frio de 15 graus só pra se exibir. Gostosas rebolando ao som de funk que sai dos seus celulares em meio de uma festa eletrônica. Homens tentando agarrar mulheres à força, e o pior de tudo. Aaaaaaaah o pior de tudo: Guarda-chuvas de marcas caras!

E esta foto mostra como retardados mataram as raves

Qual é o sentido prático de levar guarda-chuvas para festas planejadas em dias que não chovem? E mais, porquê eles tem de custar entre 300 e 800 reais? Eu sei! EU TENHO A RESPOSTA!

Para aparecer!

Simples assim. Esse tipo de gente leva a vida em função de aparecer pros outros. Isso explica o porquê do som altíssimo nos carros, roupas extravagantes e um facebook lotado de fotos borradas em boates. Como a cultura falta, tudo o que eles tem pra se agarrar é a possibilidade de aparecer mais que os outros. O guarda-chuva da Oakley mostra para os outros que ele, supostamente, é foda! A falta de cultura útil desse povo é tão alarmante quanto um velho barrigudo avisando que vai peidar.

Eu e meu irmão temos um termo para este tipo de gente: Espíritos evoluídos. Sinta a ironia definindo um grupo com mais essência que um pedregulho do Sahara. E para se sobressair os espíritos evoluídos destroem, avacalham, picham, roubam e fazem algazarra. Não que todos sejam assim, mas a maioria das más pessoas que conheço são espíritos evoluídos.

Vamos ser práticos. Reúna todos estes pichadores que sujam a cidade em um imenso galpão pronto para ser inundado com gás mostarda. Pergunte quanto deles odeiam funk e/ou gostam de música clássica. DOU MIL REAIS pra quem achar um desse. “Credo Heitor! Ele é produto do meio! Não é culpa dele se ele nasceu em um ambiente que favoreçe o funk e inibe a música clássica!” Ah é? Então me diz porquê NENHUMA das crianças que aprendem música clássica em favelas estão pichando muros? Será que é coincidência, ou será que cultura edificante melhora as pessoas?

Não tem papo! Pessoas de má índole em sua maioria são pessoas vazias de cultura, educação e bom comportamento. Não há molde para as ensinar a viver em conjunto e respeitar o espaço do próximo. Vide funk no ônibus, que na minha opinião de merda é um dos maiores absurdos do milênio, ultrapassando até a extinção dos dinossauros.

Revolução mesmo vai ser quando as empresas entenderem que para matar o serviço do concorrente basta Orkutizá-lo.

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